Este blog não foi feito por nenhum outro motivo além da auto-satisfação da criadora ao reler suas palavras impensadas. Não, provavelmente nada de produtivo sairá disso.

"... Je suis à risque de faire une crise..."

July 18, 2013

dúvidas existencialistas ou pura frescura

Ontem fui acordada às 5 da manhã, de uma forma bem pouco sutil:

"Manda um email pra Gisele, por que ela não tá botando muita fé em ti não."

A situação é mais cabeluda de explicar que o tempo me permite. O fato é que, uma vez lida a mensagem, não importava se eram 5 da manhã e eu só teria que acordar dali a 2 horas e meia: a semente da angústia estava plantada. Mil pensamentos passeavam pela minha cabecinha cansada de estagiária preguiçosa, todos voltados a como eu conseguiria escrever um email que por si só compensasse meus 11 meses de total negligência a respeito disso. O filme da minha vida, aquele que nós vemos quando estamos à beira do momento mais dramático do filme, começou a rodar:

Nunca tive dúvidas, ao longo do curso, que eu queria mesmo biologia. Isso é um feito e tanto, considerando que eu sou uma pessoa bem insegura pra várias coisas, mas biologia sempre me deu um certo "chão". Não interessa o quão mediana eu seja como aluna, é uma coisa que eu gosto de fazer e estudar.

Pesquisa, por outro lado, tem sido de várias formas meu fator limitante. Não é só a preguiça: é a incapacidade de formular uma hipótese, uma pergunta, o que quer que seja. Quando acompanho pessoas como Diego e Lucas - que são minhas referências mais próximas pro que eu penso em fazer na vida - não posso deixar de sentir uma leve sensação de que eu estou muito aquém ao nível deles.

Como posso ser uma cientista que não faz perguntas? Será que a ciência é mesmo o caminho que eu devo seguir?

O que me remete imediatamente a outro tapa na cara que levei, duas semanas atrás:

"Tu tá desperdiçando teu tempo aqui no Field."

(acho que só tenho amigos delicados né)

Comecei a correr atrás do prejuízo um pouquinho, mas de fato fica a sensação de que nem eu sei o que eu vim fazer aqui em Chicago. Só ajudar manualmente no projeto? Isso não vale nada. Como é que eu posso demonstrar pro professor Bates que eu não vim simplesmente ocupar o tempo dele aqui?

No fim das contas, tudo que eu consigo é perder o sono às 5 da manhã.

ps: Ela não respondeu meu email.