Este blog não foi feito por nenhum outro motivo além da auto-satisfação da criadora ao reler suas palavras impensadas. Não, provavelmente nada de produtivo sairá disso.

"... Je suis à risque de faire une crise..."

July 31, 2013

e no fim eu era a garota má

Ou a outra garota de alguém.

Mas era o diabo quem eu amava,

e isso é tão engraçado quanto o amor, de fato.

July 22, 2013

porco misógino

O sangue ferve, sobe à cabeça, desce aos dedos - dedos este que digitam rapidamente qualquer argumento que vem à sua cabeça, qualquer coisa que faça esse cara parar de vomitar merda em forma de comentários naquela rede social. Ela sabe que ele tem uma argumentação falaciosa e machista, mas como rebater aqueles argumentos com frieza quando tudo o que ela mais quer é abrir um buraco no meio do mundo e desesperadamente se jogar nele?

Tudo termina em pizza, mas de vez em quando ela se pega tremendo de leve em frente à tela do computador toda vez que ele compartilha mais alguma notícia machista e preconceituosa, a vontade de brigar ressurgindo como um gêiser.

A raiva passa aos poucos, mas nunca completamente.

July 18, 2013

dúvidas existencialistas ou pura frescura

Ontem fui acordada às 5 da manhã, de uma forma bem pouco sutil:

"Manda um email pra Gisele, por que ela não tá botando muita fé em ti não."

A situação é mais cabeluda de explicar que o tempo me permite. O fato é que, uma vez lida a mensagem, não importava se eram 5 da manhã e eu só teria que acordar dali a 2 horas e meia: a semente da angústia estava plantada. Mil pensamentos passeavam pela minha cabecinha cansada de estagiária preguiçosa, todos voltados a como eu conseguiria escrever um email que por si só compensasse meus 11 meses de total negligência a respeito disso. O filme da minha vida, aquele que nós vemos quando estamos à beira do momento mais dramático do filme, começou a rodar:

Nunca tive dúvidas, ao longo do curso, que eu queria mesmo biologia. Isso é um feito e tanto, considerando que eu sou uma pessoa bem insegura pra várias coisas, mas biologia sempre me deu um certo "chão". Não interessa o quão mediana eu seja como aluna, é uma coisa que eu gosto de fazer e estudar.

Pesquisa, por outro lado, tem sido de várias formas meu fator limitante. Não é só a preguiça: é a incapacidade de formular uma hipótese, uma pergunta, o que quer que seja. Quando acompanho pessoas como Diego e Lucas - que são minhas referências mais próximas pro que eu penso em fazer na vida - não posso deixar de sentir uma leve sensação de que eu estou muito aquém ao nível deles.

Como posso ser uma cientista que não faz perguntas? Será que a ciência é mesmo o caminho que eu devo seguir?

O que me remete imediatamente a outro tapa na cara que levei, duas semanas atrás:

"Tu tá desperdiçando teu tempo aqui no Field."

(acho que só tenho amigos delicados né)

Comecei a correr atrás do prejuízo um pouquinho, mas de fato fica a sensação de que nem eu sei o que eu vim fazer aqui em Chicago. Só ajudar manualmente no projeto? Isso não vale nada. Como é que eu posso demonstrar pro professor Bates que eu não vim simplesmente ocupar o tempo dele aqui?

No fim das contas, tudo que eu consigo é perder o sono às 5 da manhã.

ps: Ela não respondeu meu email.

July 03, 2013

summer

Tenho escutado muitas músicas ultimamente que têm a ver com o Verão. Eu sei o porquê: é a primeira vez que estou sentindo na pele o que é um verão de verdade. Nada a ver com aquela imagem mental que a gente faz dum lugar quente pra caralho, praia e gente bonita. O verão ao que me refiro é aquele de começar e concluir uma fase inteira da sua vida em três meses.

Um mês pra armar a casa, um pra viver, um pra desarmar tudo. É mais ou menos assim que funciona o verão daqui da 'Murica. Você tem que se adaptar a uma realidade que nunca vai ser sua rotina real - e a consciência disso por si só já deixa a estação inteira profundamente melancólica.

Quando eu encontro qualquer pessoa aqui, me pego pensando instantaneamente que irei embora logo e não encontrarei aquela mesma pessoa novamente. Muitas das vezes em que penso isto, eu vocalizo o pensamento. A sensação não vai embora: fica um fantasma de relacionamentos, de "what if"s. Já montei e desmontei centenas de possíveis conversas com pessoas daqui por ser fortemente acometida por aquela sensação de que brevemente terei que me despedir de qualquer forma.

Não foi tão intenso em Bowdoin por que eu fiquei nove meses lá (querendo ou não, é um puta tempo). A separação foi um troço pesado, mas ao mesmo tempo eu senti que deu tempo de conhecer de verdade as pessoas das que mee aproximei.

Aqui eu guardo meus crushes pra mim mesma, não manifesto meus pensamentos com tanta frequência e, principalmente, escuto muita música.