Post original: Wordpress, 14 de setembro de 2011.
Na verdade o título é uma ironia. Eu agora raramente bebo, e já tem uns meses desde a última vez que eu pegei um “porre”. Teve lá suas consequências, mas isso é assunto pra mais lá pra frente. O importante aqui é salientar que nem sempre foi assim, de eu beber pouco e manter-me sóbria. Na realidade, era bem o contrário; eu sempre bebia além do normal em praticamente toda festa/comemoração/qualquer coisa que tivesse bebida alcóolica.
Até maio, sem nenhuma consequência.
Em maio, durante um congresso para o qual vários alunos do meu curso foram, eu passei muito da linha com a bebida, mas até ali nunca tinha me acontecido nada. Era aquela história: bebia, mas tinha amigos do lado cuidando de mim. Agosto do ano passado (2010) eu tive uma amnésia alcóolica que poderia ter se tornado uma grande complicação, mas não deu em nada por que tinha gente tomando conta de mim o tempo todo.
Em Natal não foi assim.
Acordei no dia seguinte numa cama que não era minha, do lado de alguém em quem até o dia anterior eu confiava.
Péssimo nem começa a descrever a sensação que eu tive. Chequei rapidamente e vi que debaixo dos lençóis eu não usava nada. Fui me sentindo cada vez pior. Não lembrava de nada, absolutamente nada do que eu tinha feito na noite anterior – pelo menos não depois da terceira tequila. Só via flashes de luzes azuis, alguns dos meus amigos dançando, uma garrafa de absolut e uma escada.
Os fatos do dia anterior não tinham descido pra mim ainda – acho que nunca desceram totalmente.
Lembrei que pedi pra ele parar. “Não quero, não tô me sentindo bem”. Ele não parou.“Tu vai aziar agora?”. Não tinha nem como eu me levantar, então só deixei ele terminar o que ele já tinha feito. Acho que dormi ainda no meio do processo, por que não lembro como foi que tudo terminou. Lembrar dessas coisas durante o banho foi foda, e acho que passei muito mais tempo me esfregando do que eu normalmente passaria.
Dois dias depois, eu ainda iria novamente ficar com ele, mas dessa vez com outro pensamento na cabeça. O que eu fiz tinha conserto? Será que pareceria menos errado se eu me convencesse que eu queria? Não pareceu, não mesmo. Foi pior, por que ainda tive que ouvir depois que “no fundo, tu queria mesmo”. Será?
No fim das contas, meu estuprador não sabe que ele me estuprou. Ele acha que eu queria. Eu bebi, não? Eu estava me oferecendo, não é? Uma mulher que bebe demais tem que entender que o homem que a comer depois estará isento de culpa. Ela pediu por isso.
Não tenho vontade nenhuma de chorar. Prefiro só acreditar que no fundo eu queria, mesmo que seja mentira.